Helder Amaral

PARA QUÊ, E PORQUÊ

Para quê e porquê um núcleo do Sporting? Porque a paixão assim o dita, e esta tem de ser vivida e principalmente partilhada. O Núcleo de Viseu do Sporting Clube de Portugal é muito mais do que uma mera representação ou continuidade de uma organização com a dimensão do Sporting.

O nosso Núcleo, como outros, transforma a distância da sede num teste de resistência à paixão clubística. A doença de ser do Sporting é uma patologia que pode ser diagnosticada, mas não há fármaco nem tratamento possível, e às vezes agrava-se com conquistas.

Mas resiste à vitória e à derrota, ao sucesso ou ao fracasso. O nosso Núcleo surgiu fora da euforia da vitória, e por isso terá futuro para lá delas. Surgiu para dar voz e teto a essa paixão, que tem coisas inexplicáveis e outras fáceis de entender. O grupo de viseenses que criou o Núcleo pertence, como dizem, à raça que nunca se vergará. Está escrito no túnel de acesso ao relvado, e é lido como vindo da profundeza da alma. Pode ser dito em qualquer parte do mundo, mas ganha pátria ser dito por Beirões Sportinguistas, herdeiros do melhor espírito desse General pastor que se chamou Viriato. O nosso Núcleo é por fora um núcleo do Sporting, e por dentro de toda a Beira, representando uma forma de estar. E é por isso que é tão valioso.

Serve para quê? Para dar dimensão ao nosso grande Clube, para lhe reafirmar a dimensão nacional. Para ser o porto de abrigo de todos os peregrinos da nossa fé que passam por Viseu, para dar e receber informação, para rir, saltar ou chorar. Serve para ser Sportinguista, mas também para ser local de exteriorização do melhor que há em cada ser humano. Não consigo esquecer a última final da Taça de Portugal: o jogo não corria bem quando cheguei ao Núcleo, pois perdíamos por dois a zero, mas senti um estranho conforto – gente conhecida, outra completamente desconhecida, não reduziram a sensação de estar em casa, onde imperava um sentimento de pertença familiar. Ali cabia todo o mundo de emoções, angústia, revolta, desilusão, e a alegria incontida, por vezes irracional. O que define o Núcleo, na sua essência, é que ninguém pergunta quem és, o que fazes ou o que tens. De repente, somos apenas pessoas e apenas Sportinguistas, embora de várias origens, idade ou condição social.

Este é o melhor do nosso Núcleo: eleva-nos à única condição que ali importa – a de Sportinguistas. Por isso, o nosso Núcleo merece ser preservado, mas não ser vivido apenas dentro da sede: podemos e devemos ser mais ambiciosos. Com futuro garantido pela juventude da sua direção, precisamos pois de o transformar numa arma de difusão da Paixão Sportinguista, sem deixar de respeitar os valores fundadores do Sporting Clube de Portugal – ser muito mais do que um clube de futebol. Também o Núcleo pode e deve ser mais do que uma representação: podemos e devemos oferecer mais à cidade e à região na promoção dos valores do desporto, da solidariedade e na defesa dos valores da Beira.

É essa a nossa responsabilidade, deve ser esse o nosso desafio, e é também assim que fazemos Sporting. Essa não é uma tarefa só para alguns: é uma responsabilidade de todos.

Saudações Leoninas.